“MUITO OCUPADO” É UM MITO. As pessoas criam tempo para o que é realmente importante!

A vida nos tempos atuais é literalmente e absurdamente corrida, disso ninguém pode duvidar, afinal, todos (ou grande maioria) vivem na pele a turbulência da rotina, dos afazeres e dos deveres que devem ser concluídos em prazo predeterminado. Parece uma loucura! Às vezes fica até difícil acreditar que os finais de semana chegam tão rápido. Mas é certo afirmar que, quanto mais deveres e obrigações são colocados na lista, mais rápido o tempo passa. Parece que a vida é uma grande máquina de consumação do tempo.

Mas será que tudo isso é necessário? É provável que alguém diga: “São obrigações, não podemos escolher entre fazer ou não, temos que fazer! ”, mas eu digo que não é bem assim. Hoje pela manhã, antes de iniciar minha jornada laboral, estive pesquisando alguns livros no site do Saraiva e acabei me deparando com um livro estrangeiro Overwhelmed: Work, Love and Play When No One Has The Time – Oprimido: trabalho, amor e brincadeira quando ninguém tem tempo. Achei o título bem interessante e dei uma olhada em seu resumo, a autora relata a história de uma mulher que possui uma vida super corrida e tenta conciliar suas tarefas domésticas com o trabalho externo, quando num certo dia conhece uma socióloga que faz estudos sobre o tempo, e isso a faz repensar sobre toda sua vida, instigando-a a buscar respostas para resolução de seus problemas. Aí se inicia uma jornada de estudo sobre o modo como as pessoas utilizam seu tempo.

O simples título do livro me fez parar para examinar questões pertinentes ao assunto e consegui associar muitos pontos entre si, considerando, por fim, importante abordar neste artigo. Não cheguei a comprar o livro para ler (quem sabe em outro momento), mas como mencionei de início, o livro em si não é o foco, mas sim, o título que me fez desenrolar pensamentos a respeito.

Pois bem, dando continuidade a resposta da pergunta que abordei anteriormente, acredito que as obrigações não podem ser usadas como justificativa para ficar “atolado” em tarefas e gastar todo o tempo de vida realizando-as. Está tão comum, nos tempos atuais, ouvir as expressões “estou muito ocupado”, “estou consumido pelas minhas tarefas”, “turbilhão de coisas para fazer”, “não me sobra tempo”, que acabou se tornando parte das pessoas. E além disso, por incrível que pareça, isto se tornou sinal de status, quanto mais “ocupada” a pessoa está, mais “importante” ela é. Não ter tempo virou artigo de luxo, quando na verdade deveria ser sinal de preocupação!

A consumação inapropriada do tempo está causando estresse desnecessário no ser humano, a busca pelo reconhecimento externo é tão ambiciosa que está literalmente adoecendo as pessoas e destruindo o convívio pessoal com a sociedade no âmbito do lazer e afeição. Quantas pessoas deixam de reencontrar seus amigos de infância por serem “obrigadas” a ficar até mais tarde no escritório colocando o serviço em dia? Ou deixam de dar atenção a sua família por serem obrigados a fazer atendimento fora do horário de trabalho e até mesmo aos finais de semana? Entre outras situações.

Que fique claro que não estou fazendo apologia ao desinteresse pela vida profissional, pois o reconhecimento do trabalho com certeza é fruto de empenho árduo e bastante luta, mas tudo nessa vida precisa ser equilibrado, caso contrário não se vive! Se é escravo dos afazeres que muitas vezes nós mesmos criamos de forma desnecessária.

Muitas pessoas geram um tumulto tão grande em sua mesa de trabalho que ao final acabam por entregar o serviço de forma malfeita. E além disso, causam em si próprios impactos de estresse. Não existe retorno bom quando a pessoa se apega à expressão “estou muito ocupado” a todo momento e não sabe gerir seu tempo.

No trabalho, na família, nas amizades, no lazer, a verdadeira produtividade, qualidade e valorização é perdida devido a isso: Má gestão do tempo, e esta é a resposta. O ser humano sempre terá muitas coisas para fazer, sempre será atarefado, pois o mundo moderno induz a isso, mas é desnecessário utilizar isso como artigo de status ou fazer disso parte de si. Acontece que, quem realmente quer sempre arruma um jeito, quem quer faz acontecer! É tudo uma questão de prioridades.

Percebam que, a mesma pessoa que diz que não conseguiu terminar seus 10 relatórios em uma semana, e diz que não entende o porquê disso, já que cortou o almoço com seus filhos para “dar tempo”, é o mesmo que perdeu 20 min do seu tempo a cada 1 hora dando uma checada nos stories do Instagram. Nesta situação é a própria pessoa que cria seu cenário de sufoco, entre tantos outros casos.

Precisamos entender que, o tempo voa! E se não soubermos cuidar dele, acabaremos por perder o que realmente importa e ao invés de progredir, regrediremos.

O que realmente importa? Será que eu sou realmente muito ocupado? Quais são minhas prioridades? Será que estou me organizando da maneira correta? Valem estes questionamentos para meditação.

A realidade é que, todos tem coisas para fazer, e a questão é, o que você está disposto a priorizar?

Texto de : Andreia Ramires Gonçalves

Equipe de Psicologia Hospital IMO